Uma breve reflexão sobre meritocracia

     Desde pequeno sempre fui um entusiasta e defensor da meritocracia. Não que eu seja uma pessoa excepcional, melhor que a maioria dos mortais, um semi-deus, mas eu acredito que é a vida tem mais sabor quando lutamos, estudamos, corremos atrás e conquistamos o objetivo proposto.

     É comum algumas pessoas defenderem a posição de que não existe meritocracia e que o mundo funciona de maneira injusta, onde quem tem condições financeiras favoráveis possui maior chance de conquistar vitórias na vida, enquanto quem nasce e vive em condições desfavoráveis possui (quase) nenhuma chance de conquistar alguma coisa na vida. Eu, particularmente, concordo que existe desigualdade social e que uma pessoa que vive em uma família desestruturada, que não teve acesso ao sistema de ensino decente e de qualidade, que não possui acesso aos serviços públicos básicos, alimentação digna, condições de moradia decente e ao consumo de bons produtos (muitas vezes mais caros), possui menos chances de alcançar o sucesso tão fortemente pregado nos dias atuais.

     Mas, não podemos nos acomodar com esse discurso e ficar parado no tempo esperando por um salvador da pátria. Penso que se realmente ela não existe, temos o dever moral de defender e praticar esse conceito em qualquer ambiente, principalmente, onde há concorrência ou competição. Assim como eu, conheço muitas pessoas que tiveram a sua origem em bairros periféricos e de famílias trabalhadoras com baixo nível de escolaridade. Por algum motivo, essas pessoas disseram para si mesmas: “eu não quero crescer e manter esse padrão de vida. Eu quero mais”. Essas mesmas pessoas não precisaram ir para o mundo do crime para conquistarem algo a mais para suas vidas. Simplesmente, elas tiveram ambição e se dedicaram: tiveram que estudar mais do que aquele estudante que, desde cedo, teve acesso à uma educação de qualidade, começaram a trabalhar mais cedo para juntar dinheiro para comprar o próprio carro, a sua moto, o seu videogame e montar a sua poupança. Com a entrada no mercado de trabalho, se não tinham condições de pagar uma faculdade ou um cursinho pré-vestibular, conseguiram estudar no ensino técnico, conseguiram empregos melhores, aumentaram a renda e a partir de então, tiveram condições de pagar uma faculdade. Alguns até conseguiram passar na universidade pública. Continuaram estudando com afinco e conseguiram um estágio. Estagiaram com dedicação e foram contratados. Trabalharam mais ainda e conquistaram uma promoção, alguns seguiram a carreira gerencial, formaram famílias e conquistaram a casa própria.

     Cito aqui, também, algumas pessoas que tiveram sua origem simples e se tornaram grandes influenciadores e empreendedores: Flávio Augusto da Silva, Rick Chester, Carlos Wizard, José Diniz da Ser Educacional e Geraldo Rufino.

     Assim, eu pergunto: tudo isso não é meritocracia? Para quem é contra o conceito de mérito, consegue negar que todas essas conquistas foram conquistadas com muito suor e mérito? Claro que alguém pode dizer: “Essas pessoas chegaram lá porque puxaram o saco do chefe.”. Outra pessoa pode dizer também: “Mas esses exemplos são uma minoria.”. Até pode ser minoria e alguns podem ter puxado o saco do chefe. É lógico que queremos um país cada vez mais justo e que ofereça para todos os seus cidadãos meios e condições para alcançarem aquilo que cada um chama de sucesso. Mas, não podemos nos acomodar e defender uma bandeira de pena, acomodação e preguiça. Faz parte da ética do ser humano melhorar a cada dia, produzir produtos e serviços de qualidade para as pessoas e promover a competição saudável, sem se utilizar de meios que prejudiquem outras pessoas.

     As empresas já estão ficando cada vez mais conscientes de que a meritocracia gera lucro, diminui a rotatividade dos funcionários, gera motivação e cria um ambiente saudável de trabalho. As avaliações de desempenho buscam cada vez mais evidenciar quem realmente está se destacando na função, quem precisa de orientação para fazer aquilo que é esperado do funcionário e, principalmente, promover quem realmente merece e não porque joga futebol durante a semana com o chefe, mesmo apresentando resultados medianos.

     No mundo dos esportes é a mesma coisa. Magic Paula e Hortência não se tornaram os maiores nomes do basquete feminino brasileiro e mundial por acaso. O Pelé não se tornou o melhor jogador de futebol do mundo treinando igual a maioria. Ele ia além. Bernardinho não se tornou o melhor técnico de voleibol do mundo dando moleza e sentimento de pena aos times que treinou. Fez todo mundo trabalhar duro, conseguiu extrair o melhor de cada jogador e tinha um propósito claro e bem definido para conquistar as vitórias. Podemos afirmar com toda clareza que essas pessoas citadas se tornaram melhores e reconhecidas também por conta da meritocracia.

     Para concluir, cada ser humano precisa aprender a se respeitar: ter amor próprio, buscar o aperfeiçoamento contínuo, procurar fazer o que realmente gosta, para assim, ajudar mais pessoas e alcançar os próprios objetivos. Afinal, o nosso trabalho tem a finalidade de produzir algo de valor para alguém e não há mérito e nem merecemos ser bem recompensados quando fazemos um trabalho medíocre. Merecemos ser bem recompensados quando fazemos a diferença na vida das pessoas. E quando a fazemos é porque também estamos praticando a meritocracia.

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